terça-feira, 28 de maio de 2013

Curso de Teatro - Inscrições Abertas




OFICINA DE JOGOS TEATRAIS

Oficina livre de teatro com dois meses de duração.
Inscrições abertas até dia 07 de junho de 2013
Solicite sua ficha de inscrição pelo e-mail oficinaasteca@gmail.com

Início das aulas: 10 de junho de 2013
Toda segunda-feira, de 18:30h às 21h

Centro Cultural Nelson Sylvan
Rua 25 de março, 171. Centro. Cachoeiro/ES
(em frente a Casa dos Braga)

Nome: Jogos Teatrais
Dia da semana: Segunda-feira
Horário: 18:30h às 21h
Duração da oficina: 2 meses
Valor por aluno: R$ 50,00 (pagamento no primeiro dia de aula)
Local: Centro Cultural Nelson Sylvan
Público-Alvo: Acima de 18 anos, com ou sem experiência teatral.
Início: 10 de junho de 2013

Descrição da oficina: a oficina de Jogos Teatrais busca conduzir o jovem a: descobrir seus bloqueios/entraves; aprender a lidar com eles através da expressão folclórica e jogos tradicionais; trabalhar as habilidades culturais, artísticas sociais e comportamentais dos participantes; impulsionar o desenvolvimento da modalidade artística do teatro, passando do jogo espontâneo para o jogo regrado, contribuindo assim para o crescimento artístico-estético do atuante.

Metodologia: apresentar os participantes ao grupo e diagnosticar o repertório cultural de cada um, de forma lúdica e prazerosa, através de exercícios que possam integrar o grupo e mostrar sua expressão/comunicação artística.

Professor: Luiz Carlos Cardoso (Ator - DRT 1206/ES)

Breve currículo: Criador do Grupo Anônimos de Teatro, em 2008, em Cachoeiro de Itapemirim, Espírito Santo. Desenvolve trabalhos cênicos, atividades sócio-culturais e de arte-educação. Pós-graduado em Arte e Cultura pela Universidade Cândido Mendes (RJ) e bacharel em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda pelo Centro Universitário São Camilo - Espírito Santo (ES). Ator registrado no SATED/ES. Possui o curso de Gestão Cultural pelo SEBRAE/ES e SECULT/ES e cursos teatrais com Celina Sodré, Daniel Herz, Charles Fricks, Henrique Tavares, Moacir Chaves e Susanna Kruger (RJ), Isabel Setti e Zé Henrique de Paula (SP) e Sara Passabon Amorim (ES). Com os espetáculos do grupo, já se apresentou no Festival Nacional de Teatro de Guaçuí, Aldeia Sesc, Semana Cultural da Universidade Federal de Viçosa/MG e da Universidade Candido Mendes/RJ, Festival de Teatro de Curitiba e nos Festivais ENTEPOLA e no IX Encontro Iberoamericano de Teatro, ambos no Chile. Em 2013, foi selecionado pelo Festival Espírito Mundo para apresentar o espetáculo A CULPA no Festival Ritmos Mundo, em Portugal. Associado à ASTECA (Associação Teatral de Cachoeiro de Itapemirim).

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Ultimatum - Álvaro de Campos


Francis Bacon - Autorretrato


Mandado de despejo aos mandarins do mundo
Fora tu reles esnobe plebeu
E fora tu, imperialista das sucatas
Charlatão da sinceridade e tu, da juba socialista, e tu qualquer outro.
Ultimatum a todos eles e a todos que sejam como eles todos.
Monte de tijolos com pretensões a casa
Inútil luxo, megalomania triunfante
E tu Brasil, blague de Pedro Álvares Cabral que nem te queria descobrir.
Ultimatum a vós que confundis o humano com o popular
Que confundis tudo!
Vós anarquistas deveras sinceros
Socialistas a invocar a sua qualidade de trabalhadores para quererem deixar de trabalhar.
Sim, todos vos que representais o mundo, homens altos passai por baixo do meu desprezo
Passai, aristocratas de tanga de ouro,
Passai frouxos
Passai radicais do pouco!
Quem acredita neles?
Mandem tudo isso para casa, descascar batatas simbólicas
Fechem-me isso a chave e deitem a chave fora.
Sufoco de ter só isso a minha volta.
Deixem-me respirar!
Abram todas as janelas
Abram mais janelas do que todas as janelas que há no mundo.
Nenhuma idéia grande, nenhuma corrente política que soe a uma idéia grão!
E o mundo quer a inteligência nova
O mundo tem sede de que se crie
O que aí está a apodrecer a vida, quando muito, é estrume para o futuro.
O que aí está não pode durar porque não é nada.
Eu, da raça dos navegadores, afirmo que não pode durar!
Eu, da raça dos descobridores, desprezo o que seja menos que descobrir o mundo novo.
Proclamo isso bem alto, braços erguidos, fitando o Atlântico
e saudando abstratamente o infinito.

(Escrito em 1917)

A CULPA na Inauguração da Escola de Teatro Darlene Glória - Ponto de Cultura

Fotos de Luan Faitanin Volpato - Registros da noite de inauguração do Ponto de Cultura em Cachoeiro, na noite de 03 de maio de 2013. Destaque para as exposições de cartazes dos filmes de Jece Valadão, de fotos de Darlene Glória, do lançamento da revista do Cineclube Jece Valadão e do espetáculo A CULPA, do Grupo Anônimos de Teatro.















Crítica de A CULPA por Ruy Filho

Leia abaixo a crítica do espetáculo, escrita pelo pesquisador teatral Ruy Filho, de São Paulo. Ele foi ao Festival de Curitiba, o maior festival de teatro do país, a convite da organização, e assistiu nosso espetáculo na Sala Londrina.


Foto: Emi Hoshi


Kafka. Não tem muito como começar uma reflexão, sem dar a devida importância ao artista. Sim, artista, pois sua criação invade tantas linguagens, que é pouco reduzí-lo à escritor. Ao teatro contemporâneo, suas propostas introduziram a pertinência de estruturas narrativas diferenciadas, fugas do naturalismo e o redimensionamento da ideia de sujeito. Na sua fundamental Carta ao Pai, o artista trata de tudo aquilo que lhe foi imposto, renegado, destruído por aquele que lhe deveria fornecer exatamente o oposto, e acaba por gerar uma curta, porém colossal, obra sobre a humanidade. Luiz Carlos Cardoso opta por trazer à cena um homem, talvez Kafka, como coloca em dúvida na sinopse, em circunstância comum. Mesclando texto e um trabalho corporal eficiente, a narrativa se desenvolve na tentativa de ampliar a percepção do autor durante a escrita de sua carta. Por um lado, o espetáculo exibe com obviedade o acontecimento espalhando papéis pelo chão e atuando de forma naturalista o tempo da escrita em representação gestual. Fica de fora, a ausência de gênese típica do universo kafkaniano, o que poderia ser um ganho estrutural ao espetáculo e, sobretudo, à linguagem teatral utilizada. Todavia, o encantamento com o Kafka personagem domina o espetáculo. Escolha comum nesse tipo de narrativa, onde, quase sempre, fixa sobre a personagem escolhida seus argumentos, ao inves de torná-lo arquetípico, o que levaria o espectador a desenvolver uma vontade de assistir o objeto de estudo ser apropriado e não apenas representado. No caso de A Culpa, ser ele a ambiência de sugestão da cena e não sua personificação literal. Mas com saídas possíveis. A direção de Carlos Ola aponta um excelente caminho. Assistir ao espetáculo na projeção da sombra da cena que se realizava, projetada sobre as paredes laterais, ofereceu o tom misterioso e melancólico kafkaniano de modo mais experiencial. Havia nos desenhos ampliados em negro a identidade diluída por um instante indizível de dor e solidão; o surgir de um espaço menos real para a sugestão de um lugar possível de ser também o próprio interior do personagem. O bom trabalho de Luiz Carlos sustenta o intercalar entre o mergulho e o previsível. Mas deixa em aberto se não caberia a possibilidade de irem mais a fundo na intenção original. Afinal, o que acharia Kafka ao se ver, paradoxalmente, retratado tão respeitosamente?


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