domingo, 5 de dezembro de 2010

Médicos da Alegria - Experimentações no ambiente hospitalar






"No ano de 2007, quando ainda cursava Publicidade e Propaganda no Centro Universitário São Camilo – Espírito Santo e era integrante do Grupo de Teatro Universitário Atores do São Camilo, recebemos a proposta de nossa então diretora Sara Passabon Amorim: participar de um projeto de extensão que levaria bom humor às crianças internadas no HIFA – Hospital Infantil Francisco de Assim, em Cachoeiro. O projeto em questão era o “Terapia do Riso – A Arte do Humor” cuja proposta era breve, uma experiência cênica em um ambiente hospitalar carregado de dor e compaixão. Entretanto, o ano foi inteiro dedicado ao projeto na qualidade de monitor e atuante. Uma prática teatral e uma entrega solidária pra vida toda.

Naquele período, o projeto conseguiu se apresentar no 8º Seminário para Profissionais de Saúde do ES, em Vila Velha, e através de apresentação cientifica no VII Congresso Brasileiro de Qualidade em Enfermagem, em São Paulo. Além disso, apresentou a peça Cotigalhando, com renda da bilheteria destinada ao Hospital. Tudo a partir de um projeto bem feito, qualitativo, empreendedor, artisticamente belo e bem organizado. Entre relatórios, fichas, investigações e laboratórios corporais e hospitalares (ministrados pela também coordenadora do projeto, Profª. Mirela Dias Gonçalves), registra-se uma percepção minha durante aquele processo difícil de fazer rir em um ambiente hospitalar:

“Um dos momentos fortes desse projeto foi ter tido uma relação mais estreita com a dor e com a morte. Uma vez, recebemos a notícia de que uma criança que nós atendemos tinha falecido horas depois. Outras vezes, víamos crianças chegando ao hospital em estado grave, sendo motivo de grande sofrimento, também, para a família e, conseqüentemente, para funcionários e nós, terapeutas do riso.” Fazer graça é o que é sério.

Em 2009, o Grupo Anônimos de Teatro já existia e surge uma nova oportunidade: voltar ao Hospital Infantil, dessa vez patrocinado pela Unimed Sul Capixaba. Voltar à figura do clown (o palhaço da linguagem teatral) foi experimentar mais uma vez uma investigação sobre aquilo que acomete o ser humano em infinitas formas, mas que nos passa despercebido na maioria das vezes: o bem-estar. Aproximar-se de pessoas e crianças com esse personagem leva a arte ao status de elemento híbrido transformador.

“Para ele [o clown], a relação humana influencia o curso dos acontecimentos e não há uma verdade absoluta dos fenômenos, mas sim possibilidades a serem construídas. Essa é uma característica da arte que a diferencia da ciência. Para o artista, mesmo que se repitam várias vezes as etapas de um determinado processo em elaboração, jamais será possível obter os mesmos resultados, pois cada momento é único.”¹ (CABRAL, 2006)

Improvisa-se para uma efetivação da arte do humor. O corpo, em sintonia com a mente, sai em busca de novas formas de encontrar o riso em si e no outro. Levar o bom humor aos ambientes hospitalares, carregados de frieza, dor e indiferença torna-se um ato de solidariedade e desconstrução de paradigmas, intolerâncias e preconceitos.

Hoje estamos, desde maio de 2010, atuando no Hospital Unimed em Cachoeiro, sob a supervisão da psicóloga Flávia Ávila. O público mudou: de crianças e adolescentes, o leque se expande à todas as idades, sexos, classes sociais e enfermidades. De pacientes de pronto socorro a pacientes terminais. Os sentidos da comicidade são ampliados na contrapartida de uma intenção lúdica, um jogo de criação/recriação da imaginação e da magia entre o artista e o seu público. Imagine o dadaísmo e o surrealismo se materializarem em figurino, palavras, brincadeiras, fuga da realidade. Uma colagem improvisada dentro de uma intenção concreta: realizar a arte do bom humor."

Texto do integrante Luiz Carlos Cardoso

1. CABRAL, Ronney Pereira. Entre normas e rebeldias: o palhaço no hábitat hospitalar. In: IV CONGRESSO BRASILEIRO DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO EM ARTES CÊNICAS, Org. Maria de Lourdes Rabetti. Rio de Janeiro: 7Letras, 2006. Anais.

Arte e Existência na Praça de Fátima - 04/12/2010

"O principal objetivo é refazer a vida. A vida/arte, não nos fatos e acontecimentos exteriores, mas naquilo que se tem de mais profundo e de mais sagrado. Recriar algo vivo - um acontecimento: do espírito e dos sentidos – regiões fecundas da sensibilidade e criatividade humana."
Sara Passabon Amorim - Concepção e direção

Agradecimentos:
Fotos: Luan Volpato
Artista convidado: Felipe Mourad

















sábado, 4 de dezembro de 2010

Arte e Existência

O grupo permanece apresentando a encenação sob o projeto aprovado pela Lei Rubem Braga 2010, de Cachoeiro de Itapemirim/ES. Veja mais no cartaz abaixo: