terça-feira, 17 de novembro de 2015

Dia 20 de novembro é celebrado o Dia da Consciência Negra e para lembrarmos esse dia especial publico o poema Consciência negra de Marco Antônio de Souza Soledade poeta anchietense que com maestria fala das mazelas e das alegrias do povo negro. 


Consciência negra

Vinte de novembro
A celebração
Da consciência negra
Em nossa Nação
Dia da morte
Do ícone da escravidão
Zumbi; de Palmares
Tentou a libertação
Mas numa emboscada
Houve a traição
Por parte de amigo
Amigo do cão

Como todos sabem
Fomos o último país
A abolir a escravatura
Dessa gente infeliz

Treze de maio
O ano vou mear
Dezoito, oitenta e oito
Fato espetacular
A Princesa Isabel
Veio assinar
A Lei Áurea
Liberdade a decretar

Estou livre!
O negro a comemorar
Mas uma angústia
Vem lhe assaltar
Para onde irei?
Onde vou trabalhar?
Família tenho
Para sustentar

Permanecer
Sob a proteção
Do meu patrão
Pelo menos aqui
Passaremos fome não
Minha esposa e filhos
Acompanhar-me-ão

Alguns permaneceram
Libertos na prisão
Não mais o açoite
Foi-se a humilhação
Ainda lhe cabiam
No tocante a educação
Cota para negros
Uma reparação
Alguns questionam
É discriminação

E sobreviveram
Diversas personalidades
O rei pelé
Virou celebridade

O nosso Joaquim Barbosa
Grande Magistrado
Muito batalhou
Sofreu um bocado
Envolvidos no mensalão
Foram condenados

O mestiço e o caboclo
A negra e a mulata
Pessoas cor de jambo
Aquelas também pardas

Pessoas comuns
Mas que do bem são
A senhora Benedita
O senhor Sebastião

Os que vivem em favelas
Que são dignos cidadãos 
que pagam seus tributos
Desenvolvem a Nação
Infelizmente vão existir
Aqueles do arrastão
Do tráfico de drogas
Do furto de um cordão
Assalto à mão armada
Por favor, sem reação

Consciência Negra
Porque comemorar?
De todo coração
Devemos nos libertar
Do orgulho e egoísmo
Da inveja sem par
Só seremos mesmo livres
Quando espaço não sobrar
Em nosso coração
Para as coisas más

Grandes artistas
Zeca Pagodinho
Dudu Nobre
Da Vila tem Martinho
Um maestro da Viola
Chamado Paulinho

Milton Nascimento
Ainda o Djavan
Jorge Bom Jor
Uma multidão de fãs

Gilberto Gil
E por aí vai
São sucessos
Nas paradas musicais

Temos o Congo e Jongo
Feijoada e capoeira
Expressões artísticas
Afro-brasileiras

Ainda temos
O acarajé
Na Bahia
Com muita fé

Diversas atividades
Não tudo pra citar
Mas é meu desejo
A todos homenagear
Viva a Consciência Negra
Que hoje tem lugar!

Poema de Marco Antônio de Souza Soledade

Anchieta – ES, 17 de novembro de 2015

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